Risco & Negócio

Por que criminosos preferem atacar empresas menores

26.02.2026
Empresário analisando alertas de segurança em tela de computador

PMEs são o alvo preferido de ataques cibernéticos no Brasil. Entenda a lógica dos criminosos e como proteger sua empresa antes que seja tarde.

William Herdy
CEO / Co-Founder @ Guardfy™

Por que criminosos preferem atacar empresas menores

Em junho de 2024, foram registrados 48,7 mil incidentes de segurança contra pequenas e médias empresas. Um ano depois, em junho de 2025, esse número saltou para 13,3 milhões. Uma alta de 273 vezes em apenas doze meses.

Se você acredita que sua empresa é pequena demais para ser alvo, os criminosos agradecem. Essa crença é exatamente o que torna PMEs tão atraentes.

A lógica do criminoso

Hackers não são personagens de filme invadindo sistemas do governo por diversão. São operações organizadas, muitas vezes profissionais, que funcionam com uma lógica simples: máximo retorno com mínimo esforço.

Grandes empresas têm equipes dedicadas de segurança, ferramentas sofisticadas, processos maduros e orçamentos robustos para proteção. Invadir uma dessas empresas exige tempo, conhecimento técnico avançado e envolve alto risco de detecção.

PMEs, por outro lado, costumam operar com infraestrutura básica, sem autenticação multifator, sem monitoramento contínuo e, frequentemente, sem ninguém olhando especificamente para segurança. O caminho está aberto.

Para o criminoso, a matemática é clara: atacar 100 empresas vulneráveis é mais lucrativo e menos arriscado do que tentar invadir uma única empresa bem protegida.

Os números confirmam

O Brasil se tornou terreno fértil para ataques cibernéticos. Somente no primeiro semestre de 2025, foram detectadas 314,8 bilhões de tentativas de ataque no país, segundo a Fortinet. O Brasil concentra 84% de todos os ataques da América Latina.

E as PMEs estão no centro desse cenário:

  • 8 em cada 10 empresas brasileiras sofreram pelo menos um incidente de segurança nos últimos 12 meses
  • 88% das violações confirmadas envolveram ransomware ou extorsão de dados
  • 15% das PMEs vítimas de ransomware não conseguem retomar suas operações

Esses não são números sobre grandes corporações. São dados sobre empresas do mesmo porte que a sua.

Por que PMEs são alvos fáceis

Existem três razões principais que tornam pequenas e médias empresas atraentes para criminosos:

Defesas mais fracas. Enquanto grandes empresas investem em média US$ 14 milhões por ano em segurança, PMEs investem cerca de US$ 275 mil. A diferença de 50 vezes no orçamento se traduz em diferença proporcional na proteção. Muitas PMEs ainda dependem apenas de antivírus básico e firewall mal configurado.

Operações críticas. Uma PME que para de operar por três dias pode perder clientes, contratos e reputação de forma irreversível. Criminosos sabem disso. Sabem que a pressão para voltar a funcionar rapidamente aumenta a chance de pagamento de resgate.

Menor visibilidade. Ataques a grandes empresas viram notícia, atraem investigação e geram repercussão. Ataques a PMEs passam despercebidos. Para o criminoso, isso significa menor risco de consequências.

O mito da invisibilidade

Um equívoco comum é pensar que criminosos escolhem seus alvos manualmente, como se estivessem mirando em empresas específicas. Na realidade, a maioria dos ataques é automatizada.

Ferramentas de varredura rodam 24 horas por dia, procurando vulnerabilidades expostas na internet: portas abertas, sistemas desatualizados, credenciais fracas. Quando encontram uma brecha, atacam. Não importa se é uma multinacional ou uma empresa de 15 funcionários.

Sua empresa não precisa ser “importante” para ser atacada. Precisa apenas estar vulnerável.

O custo de descobrir tarde demais

O custo médio de uma violação de dados no Brasil atingiu R$ 7,19 milhões em 2025, segundo a IBM. Esse valor inclui investigação, recuperação de sistemas, perda de negócios, danos à reputação e eventuais penalidades legais.

Para uma PME, um único incidente pode representar meses ou anos de faturamento. E 15% das empresas atacadas simplesmente não conseguem se recuperar.

A pergunta que todo empresário deveria fazer não é “será que vão me atacar?”, mas “quando atacarem, eu vou estar preparado?”.

O que fazer com essa informação

Reconhecer que sua empresa é um alvo potencial é o primeiro passo. O segundo é agir antes que a escolha seja feita por você.

Medidas básicas como autenticação multifator, backups testados regularmente e conscientização da equipe podem bloquear a maioria dos ataques. Segundo especialistas, 80% dos incidentes poderiam ser evitados com medidas simples.

Segurança não precisa ser complexa ou cara. Precisa ser levada a sério.

Se você não sabe por onde começar ou quer entender onde estão as vulnerabilidades da sua empresa, converse com um especialista.

Às vezes, uma conversa de 30 minutos evita um prejuízo de meses.
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